Segundo dia de Mostra Fantaspoa Revisitado – 28.07.2010

É isso aí, pessoal. Continuem comparecendo na Mostra Fantaspoa revisitado. Está ocorrendo no Cine Bancários, e hoje a programação é:
Às 15:00, “A centopéia humana”, um dos filmes mais aguardados no VI Fantaspoa. Com duas sessões lotadas, chocou e divertiu todos os presentes. Essa é a oportunidade de os que não viram o filme finalmente assistirem na telona.
Às 17:00, exibiremos o clássico do mestre italiano Daria Argento, “4 moscas sobre veludo cinza”. A obra foi exibida uma única vez nesta sexta edição do festival, tendo sido comentada pelo roteirista da obra, o simpático Luigi Cozzi.
Por fim, “O cavaleiro”, que teve seu ator principal, Peter Marshall, premiado pela sua performance nesse eletrizante filme de vingança. Além de ter sido premiado no Fantaspoa, “O cavaleiro” ganhou prêmio de melhor filme e melhor diretor no respeitado Melbourne Underground Film Festival.

Divulguem e compareçam.
João Fleck e Nicolas Tonsho

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Abaixo, textos de comentários sobre os filmes.

A Centopéia Humana

6º Fantaspoa – A centopéia humana (2009)

Encerro minha participação no Sexto Fantaspoa com essa gema do holandês Tom Six. Infelizmente não consegui comparecer à sessão nesse último dia de Festival, mas nem preciso, porque não quero fazer outro posto sobre o filme em si. Já escrevi sobre The human centipede (first sequence) aqui, além de mencionar, quando escrevi sobre The horseman, um pouco da repercussão que o post teve. Retomo.

A centopéia humana é sim, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano dentro do âmbito do cinema fantástico, exploitation e de horror. Festivais pelo mundo dedicados ao segmento tiveram o filme como um dos destaques. Não são milhares de palhaços querendo parecer cult que concordam comigo, são apreciadores de um gênero, que sabem o que estão vendo. Sim, pessoas que eu nem conheço vieram me acusar de imbecil porque eu elogiei A centopéia humana. Rizível. Espinafrado como se eu fosse o realizador do filme…

É o que se ganha quando cria-se uma obra original, todos querem saber sobre. Como lá no começo de maio só o que existia sobre o filme na internet brasileira era trailer, cartaz e comentários assustados, muita gente caiu aqui nesse blog vagabundo, única possibilidade nacional para quem pesquisava sobre o filme no Google. Pelo menos é isso que me mostram uma breve pesquisada e as estatísticas de acessos no meu blog, que bateram recordes em maio e se mantiveram em junho.*

Mas no post original eu já escrevi sobre a centopéia, agora vou me limitar a colar trechos de algumas críticas especializadas que rolam pela internet. Negritarei partes que eu acho que merecem atenção especial.

Começo com Roger Ebert, o crítico de cinema mais famoso do mundo, que soube se posicionar em relação ao filme, e até exagera um pouco, por ser um barrão:

I have long attempted to take a generic approach. In other words, is a film true to its genre and does it deliver what its audiences presumably expect? “The Human Centipede” scores high on this scale. It is depraved and disgusting enough to satisfy the most demanding midnight movie fan.

I am required to award stars to movies I review. This time, I refuse to do it. The star rating system is unsuited to this film. Is the movie good? Is it bad? Does it matter? It is what it is and occupies a world where the stars don’t shine.

Twitch:

When you want to see a movie called The Human Centipede, I suppose you should be happy that you get what’s advertised. 

Tom Six’s directorial and writing effort lives and dies on an image that both repulses and fascinates. The spectacle of 3 people joined via gastrointestinal systems into a crawling, mewling train is a visual I’d never thought I’d see in a film before and at the same time an inadequate justification of the movie’s 93 minute runtime.

His [Dieter Laser] performance is the main reason to see this film, injecting a rich vein of black humor to the proceedings.

Again, you get what’s advertised when you see this film – nothing more and nothing less.

HorrorSquad, num texto gigante recomendado para quem quer uma análise filosófica da centopéia humana:

French writer Georges Bataille said that “men are swayed by two simultaneous emotions: they are driven away by terror and drawn by an awed fascination. Taboo and transgression reflect these two contradictory urges. The taboo would forbid the transgression but the fascination compels it.” That about sums it up for most people who have sought out The Human Centipede (First Sequence) — and really, horror cinema in general.

Roughly the first forty minutes shows almost no blood, which is reminiscent of the way films like Texas Chainsaw Massacre operate. Our minds tend to fill in the things that never were, through the director’s use of suggestive images and situations.

Six’s methodology subverts expectations, which has a lot more to say about its audience than the film itself.

Hopefully it has become clear that The Human Centipede isn’t just another gross out film — despite what its own marketing campaign would have you believe.

…if almost two thousand words don’t express my admiration for Centipede’s ideas, then I don’t know what will.

CHUD, que já começa mostrando que eu não sou um palhaço, dando a real dos festivais pelo mundo:

This year [2009] I was honored to serve on the Horror Features Jury at Fantastic Fest. We awarded The Human Centipede both Best Feature and Best Actor for Dieter Laser.

What’s the future of horror? The genre is cyclical, with people following the lead and look of what seems to be popular at the moment, new filmmakers chasing the scraps of more original filmmakers. The Human Centipede (First Sequence) is almost a metaphor for that world of derivative, boring horror where someone chews up and digests a new idea and the next person eats their ‘leftovers.’

what I love about this film is that it is unlike anything else you’ll see and it’s unlikely that anybody will be following its twisted lead any time soon. It’s a masterpiece of perverse originality, a truly unique experience of sleaze and horror.

German character actor Dieter Laser plays Dr. Heiter, and the performance is nothing short of brilliant. He has a serpentine look, like an evil Christopher Walken, and he is completely and totally mad. (. . .) Heiter is a completely iconic mad scientist, a horror archetype we see too rarely.

What’s amazing is that Six doesn’t go overboard on the gore and viscera. That stuff is there – there’s a particularly cringe-inducing tooth extraction scene – but what really gets to you is the concept and Laser’s deranged domination of his unholy creation. Six could have gone bigger and wetter, but he understands that sometimes concepts and ideas are more unsettling than graphic visuals.

The Human Centipede (First Sequence) is a dangerous movie. If you think this movie isn’t for you, you’re probably right. This is a movie that assaults your soul and leaves you changed. Or maybe the best way to put it is that The Human Centipede is a movie that leaves you scarred.

Falando em não abusar de gore e vísceras, cato a crítica da revista VICE, cuja autora parecia que queria ver gente comendo merda durante o filme, e parece ser mais confusa e ignorante que eu. Ela pergunta, e já responde negativamente com raiva, se Human centipede é o filme mais chocante de todos os tempos. Coloca na mesma sacola, sem nenhuma noção: Driller Killer, I Spit on Your Grave, O albergue, Cabin Fever, Paranormal Activity, Baise Moi, Cannibal Holocaust e FILMES TRASH DA TROMA. Lamento muito, mas colocar filme da Troma entre possibilidades de filmes que deveriam CHOCAR é invalidar todo e qualquer argumento. Pesquisei rapidamente essa mina no Google, ela não aparenta ser uma ignorante, e parece se meter em coisas bem escrotas, entendo que nada choque ela. Mas acho que ela tá num nível que eu passei: o de me irritar com os filmes porque eu esperava que TUDO fosse aniquilação da alma, por querer imagens horríveis sempre, coisas que beirem o real e destruam meu ser. Mas as coisas não são assim. E não precisam ser. O assassino da furadeira (Driller killer) do Abel Ferrara te fode sim. Não CHOCA, mas te estraga, maltrata, porque é MAU. Cannibal holocaust é um clássico, um filme chato, que se fez muito no marketing e é superestimado, mas que foi pioneiro, e que botou ator pra matar bicho na Amazônia, manchando a História pra sempre. O dia que esse Cabine do medo (é isso?) entrar pra qualquer História, não temos mais universo, nêga. Segura tua onda e DEIXA DE SER TROUXA, pare de acreditar sempre que dizem que tal filme é O chocante da vez. Simples.

Criar expectativas é o vilão, em qualquer situação, todo mundo sabe, e quem as cria somos nós mesmos. E eu falo de expectativas no post orignal, lá em maio: aceite que 3 pessoas estarão com a boca no cu uma da outra, NÃO tem cenas escrotonas, tripas e sangüeira, NÃO é o filme mais chocante do mundo. Se tu cai em marketing, enfia tuas expectativas no cu e ri pro caralho, não vem xingar desconhecidos em seus blogs. MARTYRS sim é uma bosta de filme, Centopéia humana não.

Mais: cult, clássico, filme do ano, termos que independem da qualidade e do gênero da obra. Em nenhum momento eu fiz como muitos tem feito, chamando de “o filme mais doente já feito”, porque não concordo com isso e acho que é coisa de quem não viu muito, além de considerar desonestidade. É ingenuidade como dizer que Vampire girl vs Frankenstein girl é “o filme mais trash do mundo”. Aconteceu, eu ouvi. Inocência das pessoas, ora.

Só acho que as seqüências vão rebaixar o filme. Diz que o projeto é uma trilogia. Azar.

Uns prêmios de 2009, que peguei na Wikipedia:

Best picture at Fantastic Fest, Austin TX and Best Actor (Dieter Laser) in the horror category;
Best Movie at Screamfest LA;
Best Movie at Sainte Maxime International Horror Film Festival;
Best Movie at Ravenna Nightmare Film Festival;
Best Ensemble Cast at South African Horror Film Festival;
Audience award at Haapsalu Horror and Fantasy Film Festival, Estonia

______________________________

*NOTA: encontrei agora uma menção 2 dias anterior a minha. Chato pra mim, porque o cara até cita o cruzamento de Udo Kier com Lance Henrikssen para sair o Dieter Laser. De qualquer modo, no Brasil ainda não achei nada. Essa menção é que me levou a falar do Martyrs agora no finalzinho do post. O cara lá aparentemente gostou do filme francês. Ahahah. Detalhe: eu não coloco nem a pau os dois filmes no mesmo saco, então não faz sentido nenhum dizer “vá rever Mártirs em vez de ver Centopéia humana“, como fez o cara.
Fonte: http://felipeta.wordpress.com

Sobre a sessão de 4 moscas sobre veludo cinza

Luigi Cozzi apresenta Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza no Fantaspoa

A última noite de Luigi Cozzi no Fantaspoa, como já era de se esperar, foi outro momento memorável do festival, fechando de maneira merecida o ciclo dedicado ao veterano cineasta italiano. A sessão novamente teve lotação total da sala, desta vez com congestionamento até nos degraus, afinal o filme selecionado foi um giallo clássico dirigido por Dario Argento, o raríssimo Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, de 1971, que tem roteiro co-escrito por Cozzi. O filme em si é considerado o mais fraco da chamada ‘trilogia dos bichos’ de Argento (completada por O Pássaro das Plumas de Cristal e O Gato de Nove Caudas), mas ele me pareceu bem melhor na tela grande do que quando o vi pela primeira vez, num tosco DVD caseiro com uma cópia péssima que circulou entre colecionadores durante muitos anos.
Também foi emocionante acompanhar a entrega, por parte da direção do Fantaspoa, de um merecido ‘prêmio pela carreira’ a Luigi Cozzi, que levou para casa uma placa em homenagem aos anos dedicados ao cinema fantástico, abraçando os gêneros da ficção científica, fantasia, suspense e horror. Após a sessão, Cozzi respondeu a mais uma bateria de perguntas da platéia, desta vez concentrando-se mais em sua parceria com Dario Argento. O convidado de honra contou inúmeras anedotas dos bastidores do filme e não fugiu sequer da pergunta sobre o que acha das produções recentes do colega Argento. Felipe M. Guerra, curador da mostra e cicerone de Cozzi, foi preciso ao traduzir a resposta: “Como todo mundo, Luigi prefere os filmes mais antigos do Argento”.
Perguntado sobre se prefere escrever ou dirigir, Cozzi tampouco teve dúvidas: “O roteirista é um solitário e tem o mundo inteiro ao seu dispor. O diretor tem que lidar com dezenas de pessoas e precisa convencê-las a fazer exatamente o que ele quer. Prefiro muito mais ficar sozinho com minha máquina de escrever ou meu computador”. Falando especificamente sobre a construção do roteiro, Cozzi revelou que primeiro ele e Dario bolaram as cenas de morte e só depois criaram os personagens e a trama em si. Questionado sobre possíveis referências hitchcockianas na obra, o roteirista reconheceu que Alfred Hitchcock é uma influência constante nesse gênero, mas que a inspiração de fato veio do livro Black Alibi, de Cornell Woolrich.
Cozzi também falou sobre o processo criativo da trilha sonora, do qual participou ativamente, e os problemas que ele e Argento tiveram com o compositor Ennio Morricone, o qual discordava do rumo escolhido e acabou brigando seriamente com o diretor. Os dois só voltariam a se falar 25 anos depois. Foi idéia de Cozzi contratar uma banda de rock progressivo para gravar o tema de abertura e o grupo escolhido foi o Deep Purple, que na época estava no início de sua fase mais celebrada. A banda chegou a gravar a música tocada nos créditos, mas os integrantes não puderam aparecer no filme em si devido a restrições burocráticas da lei italiana, que exige que a maioria dos técnicos e artistas que participam de um filme sejam italianos. O vídeo postado aqui mostra a abertura do filme, com a banda tocando no estúdio, e se meus ouvidos não me traem, acredito que a gravação original do Deep Purple foi pelo menos parcialmente utilizada: o teclado principal não soa muito parecido com o de Jon Lord, mas acredito que há uma base com outro teclado. A guitarra não parece a de Ritchie Blackmore (cadê a alavanca?), mas os gritos parecem coisa do Ian Gillan. No final das contas, é uma bela trívia roqueira para enriquecer este giallo clássico. Quem quiser conferir o restante do filme sem levantar da cadeira, aqui estão as partes 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10.
Um papo familiar

A sessão foi tão concorrida – e se espalhou até altas horas, com o pessoal do cinema literalmente nos colocando para fora – que não pude fazer as perguntas que tinha em mente, apesar de estar sempre de dedo levantado, pedindo a vez. Mas Cozzi foi simpático como sempre e, ao me ver na saída da sala, veio em minha direção e brincou: “Não teve perguntas dessa vez?”. Disse então que ia perguntar sobre o projeto do Frankenstein nazista que ele e Argento tentaram desenvolver na década de 70, e se é verdade que Argento costuma distorcer o roteiro escrito ao ponto de tornar algo que no papel é plausível e verossímil em algo completamente incompreendível nas telas, como Dardano Sacchetti certa vez comentou. Cozzi discordou veementemente e afirmou que tudo que ele escreveu foi seguido à risca por Argento, o que me deixou surpreso.
Conversamos também sobre a suposta misoginia de Dario Argento e se ele tem idéia do porque de os assassinos na maioria de seus filmes serem mulheres. Cozzi rebateu quando comentei que Asia Argento, filha de Dario, certa vez disse que o pai dela tem “algum problema” com a mãe dele; segundo Cozzi, Dario ama a mãe, nunca teve problemas com ela. “É uma família problemática, estão sempre brigando, é melhor manter distância”, recomendou; “o problema da Asia é que ela fala demais”.
Não acho exagero dizer que Luigi Cozzi talvez tenha sido a personalidade mais agradável já trazida a qualquer das edições do Fantaspoa. Inteligente, articulado, simpático e acessível, Cozzi certamente não é um autor celebrado por ter realizado grandes obras no cinema fantástico (apesar de nenhum dos seus filmes sofrer do mal de serem chatos; muito pelo contrário, todos são divertidíssimos), mas isso é plenamente compensado por ele ser um grande aficionado pelo gênero – em especial a ficção científica clássica – e possuir um vasto conhecimento sobre o tema. Cozzi também escreve sobre cinema de gênero, o que faz com que conversar com ele sobre cinema seja muito mais do que ter que apelar para a bajulação sem propósito.
Autor: Carlos Primati
Fonte: http://cine-monstro.blogspot.comO Cavaleiro

6º Fantaspoa – O cavaleiro (2008)

The horseman, de Steven Kastrissios, é o melhor filme do Sexto Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Embora A centopéia humana (ainda por estrear no festival, mas já coberto no blog) já seja um clássico e eu tenha me enamorado com o House of the devil.

Um filme de vingança. Em todo lugar fala-se da semelhança com Hardcore (1979), do Paul Schrader, qual seja: a filha de um homem some e é descoberta numa fita de putaria. O pai vai atrás dos responsáveis e senta o pau. O que temos de diferente? É um filme independente australiano com violência bruta, tortura e tensão.

I don’t roll out the word “gratuitous” often, but the unremittingly brutal last act can’t escape the charge: it’s too, too much.

Isso acima saiu de uma crítica de um parágrafo do site do Telegraph inglês, que deu como nota uma estrelinha só. Ridículo. A mim parece uma pessoa que não gosta desse tipo de filme escrevendo para pessoas que não tem nenhum interesse nesse tipo de filme. Os distintos leitores do Telegraph não foram informados que O cavaleiro passou em festivais dedicados a filmes desse nível, sendo indicado a alguns prêmios e arrematando outros. É como um estúpido vir dizer que alguém tá de palhaçadinha e querendo parecer culto ao chamar The human centipede de filme do ano, algo que júri e público de festivais de cinema fantástico, independente, de horror e afins mundo afora (incluindo o II SP Terror, encerrado no dia 8, agora) concordam. Eu não sou idiota, amigo. Eu sei o que eu vejo e como eu vejo. Achou ruim? Tudo bem, tá no teu direito, mas não seja um babaca no blog de alguém que tu nem conhece.

Enfim, retornando… Horseman já começa com pé-de-cabra e quebradeira. O pai enraivecido quebra um cara e quebra fitas vhs e computadores. E empurra um escaninho, e bate e pisa um pouco mais nas fitas e arranca nomes do infeliz. Finn? JÁ ESTIVE com o Finn. Um grande momento de destruição. A destruição não é grande, mas haver a insistência nela é ótimo. Na hora me veio à mente aquele monte de gente morrendo ao longo do Traga-me a cabeça de Alfredo Garcia, do Peckinpah.

Armado de pé-de-cabra e uma faquinha de bolso – um canivete, se preferirem – de estimação, o pai roda à caça de todos os envolvidos na fita. A relação dele com a filha não fica clara, só tem flashback dela pequena, mas não parece que eles eram um exemplo de família. A mãe é mencionada, mas não se sabe nada dela. A guria supostamente foi por livre e espontânea vontade gravar o vídeo em troca de grana, o que nos leva a crer que fazia tempo que ela não era a criancinha querida do papai, e ele decerto não era muito presente (como era o santo do George C. Scott em Hardcore). Quer dizer, não foi uma filha exemplar de um grande pai de família que foi encontrada morta com cocaína e heroína no sangue e sêmen no corpo.

Eu não vou descrever todas as atrocidades do filme, é ver para crer. E, como costumo fazer, me posiciono da seguinte maneira, sem querer posar de fodão e dando os fatos: gosto muito e estou acostumado a filmes de violência. Quando meu pai viu Assassinos por natureza, voltou dizendo que era VIOLENTÍSSIMO. Fui ver e não era, saca. Não considerei. Mas aqui não estamos falando de Hollywood. Quando um filme foi feito fora de Hollywood, mais, fora dos Estados Unidos, mais ainda, é uma produção independente e de um diretor que nunca ouvimos falar, a gente já sabe que COISAS PODEM ACONTECER, porque não sabemos que limites existem. E aí dá-se a tensão, a apreensão, o medo a cada cena que começa. Então, para os mais sensíveis (sem julgamentos jocosos) ou menos acostumados, digo que o nível de violência e maus-tratos de Horseman me atingiu positivamente. Positivamente, como em “eu estava quase escalando a poltrona, com os dedos cravados nos braços dela no gratuitous last act que a crítica do Telegraph menciona”. Ou seja, se você não curte, cuidado. Possivelmente todas as cenas anteriores ao sadismo inesperado do last act também serão demais pra você.

Tem a parte sentimental, com uma mina que o pai dá carona, para dar corpo ao filme e aliviar a tensão. Talvez eu devesse rever antes de escrever sobre, mas não há tempo. Já está. Curti muito. O pai é foda.

Utensílios usados  no filme: pé-de-cabra,  canivete, anzóis, alicate, bomba de bicicleta, mangueira, marreta, martelo, maçarico.

Partes do corpo afligidas: pênis, cabeça, braços, torso, orelha, entre outras.

Não confunda esse Horseman com o Horsemen do Jonas Akerlund ou qualquer outro. Veja o trailer, se quiser.

Fonte: http://felipeta.wordpress.com

Published in: Sem categoria on julho 28, 2010 at 3:56 am  Comments (1)  

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One CommentDeixe um comentário

  1. Legal ver meus textos aqui!

    Parabéns pelo Festival desse ano.

    Abraço.


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