15-07

Hoje, dia 15 de julho, temos as últimas sessões de “Glenn, o Robô Voador”, “Papai e mamãe”, “Salmo 21”, “O traficante de sono” e “Cólera”. Aproveitem!
Por outro lado, exibiremos “Santos Sujos, em première nacional, “A centopéia humana”, “O legado Valdemar” e “8th Wonderland”.
Infelizmente, o diretor Jean Mach, que havíamos anunciado como um de nossos convidados para esta sexta edição do Fantaspoa, não poderá estar presente na sessão de seu filme, “8th Wonderland”.

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Obrigado por comparecerem nas sessões, e continuem, se possível, divulgando o festival.
João Fleck e Nicolas Tonsho

Published in: Sem categoria on julho 15, 2010 at 4:39 pm  Deixe um comentário  

13/07: Salmo 21, Escuridão e Amargo

A programação do Santander Cultural teve três ótimos longas-metragens. Curiosamente, todos eles, à sua maneira, falam sobre o mesmo tema, trauma de infância, e dão às tramas caminhos parecidos, com o retorno do protagonista à origem de seu trauma, proporcionando um confronto necessário com o passado.

Em Salmo 21 (2009), um padre perturbado por visões de sua falecida mãe é informado da misteriosa morte do seu pai e parte à sua cidade de origem a fim de saber mais sobre o acontecimento. Lá, ele se hospeda na casa de uma conturbada família que o hostiliza, mas, aos poucos, vai se lembrando de momentos-chave da sua infância. Horror sobrenatural, possui a típica aura dramática européia. É bastante frágil ao lidar com elementos horríficos mais tradicionais, como os momentos climáticos e as aparições dos fantasmas, sustentadas em exaustivos efeitos de CGI, mas é bastante incisivo em seu discurso anti-clerical. Uma das melhores cenas é protagonizada por Jonas Malmsjö, o irresoluto padre, e Per Ragnar, intérprete de seu pai, ator que também estrelou o sucesso sueco Deixa Ela Entrar (2008) no papel do protetor da pequena vampira.

Escuridão (2009) é mais leve, com momentos de humor protagonizados pelos membros da banda amalucada de rock da qual faz parte o protagonista, um homem que procura tranqüilidade para dedicar-se às artes plásticas e retorna ao casarão em que viveu quando criança na companhia dos pais e da irmã mais velha. Porém, começa a ser importunado pelos fantasmas de algumas crianças que, aos poucos, lhe revelam detalhes de seu passado obscuro. O filme marca o retorno do veterano diretor tcheco Juraj Herz ao cinema, depois de 12 anos de dedicação a produções televisivas. Herz iniciou sua carreira no horror há 40 anos, com o cultuado Spalovac Mrtvol, em que explora o tema do nazismo. Ainda que abordado de maneira diferente, o mesmo tema ressurge em Escuridão, em que se percebe uma tentativa do cineasta de se atualizar, acrescentando à trama a supracitada banda de rock e algumas dispensáveis cenas de consumo de drogas e sexo, incluindo lesbianismo.

O mais subjetivo entre os três, Amargo (2009) é um filme essencialmente visual. Com pouquíssimas linhas de diálogo, mostra três momentos da vida de uma mulher: sua infância, adolescência e maturidade. Como os personagens dos filmes anteriores, quando adulta, a protagonista retorna ao lugar em que passou a infância e, lá, é perseguida por um assassino com uma navalha. Os primeiros minutos do filme fazem valer o ingresso, através de uma contagiante atmosfera pesadelar e de ameaça sobrenatural que só se via nos cinemas de Dario Argento e Mario Bava. No restante da metragem, os diretores Hélène Cattet e Bruno Forzani, também roteiristas do filme, proporcionam um espetáculo para os sentidos, numa verdadeira poesia em 16 mm.

Beatriz Saldanha

Published in: on julho 15, 2010 at 5:26 am  Comments (1)  

14-07

Caros,

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Hoje, dando prosseguimento ao VI Fantaspoa, serão exibidos os filmes “Os Cisnes Feios”, “Kandisha” e “Black” estarão em première latino-americana no Cine Santander, no Santander Cultural, e “Filhos da Formatação” estará em première panamericana na Sala PF Gastal, na Usina do Gasômetro. No Cine Bancários, no Sindicato dos Bancários, serão apresentadas, pela última vez no festival,  “O garoto macaco” e “Armazenagem a frio”, enquanto que “Vampire Girl vs. Frankenstein Girl” e “Massacre esta noite” terão sua primeira sessão no Brasil hoje.

Infelizmente, o produtor Sergio Rentero não poderá comparecer à sessão de “Massacre esta noite” hoje às 21 horas no Cine Bancários, por problemas de saúde. Pedimos desculpas.

Compareçam!
João Fleck e Nicolas Tonsho

Published in: Sem categoria on julho 14, 2010 at 5:52 pm  Deixe um comentário  

Luigi Cozzi apresenta Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza no Fantaspoa

A última noite de Luigi Cozzi no Fantaspoa, como já era de se esperar, foi outro momento memorável do festival, fechando de maneira merecida o ciclo dedicado ao veterano cineasta italiano. A sessão novamente teve lotação total da sala, desta vez com congestionamento até nos degraus, afinal o filme selecionado foi um giallo clássico dirigido por Dario Argento, o raríssimo Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza, de 1971, que tem roteiro co-escrito por Cozzi. O filme em si é considerado o mais fraco da chamada ‘trilogia dos bichos’ de Argento (completada por O Pássaro das Plumas de Cristal e O Gato de Nove Caudas), mas ele me pareceu bem melhor na tela grande do que quando o vi pela primeira vez, num tosco DVD caseiro com uma cópia péssima que circulou entre colecionadores durante muitos anos.

Também foi emocionante acompanhar a entrega, por parte da direção do Fantaspoa, de um merecido ‘prêmio pela carreira’ a Luigi Cozzi, que levou para casa uma placa em homenagem aos anos dedicados ao cinema fantástico, abraçando os gêneros da ficção científica, fantasia, suspense e horror. Após a sessão, Cozzi respondeu a mais uma bateria de perguntas da platéia, desta vez concentrando-se mais em sua parceria com Dario Argento. O convidado de honra contou inúmeras anedotas dos bastidores do filme e não fugiu sequer da pergunta sobre o que acha das produções recentes do colega Argento. Felipe M. Guerra, curador da mostra e cicerone de Cozzi, foi preciso ao traduzir a resposta: “Como todo mundo, Luigi prefere os filmes mais antigos do Argento”.

Perguntado sobre se prefere escrever ou dirigir, Cozzi tampouco teve dúvidas: “O roteirista é um solitário e tem o mundo inteiro ao seu dispor. O diretor tem que lidar com dezenas de pessoas e precisa convencê-las a fazer exatamente o que ele quer. Prefiro muito mais ficar sozinho com minha máquina de escrever ou meu computador”. Falando especificamente sobre a construção do roteiro, Cozzi revelou que primeiro ele e Dario bolaram as cenas de morte e só depois criaram os personagens e a trama em si. Questionado sobre possíveis referências hitchcockianas na obra, o roteirista reconheceu que Alfred Hitchcock é uma influência constante nesse gênero, mas que a inspiração de fato veio do livro Black Alibi, de Cornell Woolrich.

Cozzi também falou sobre o processo criativo da trilha sonora, do qual participou ativamente, e os problemas que ele e Argento tiveram com o compositor Ennio Morricone, o qual discordava do rumo escolhido e acabou brigando seriamente com o diretor. Os dois só voltariam a se falar 25 anos depois. Foi idéia de Cozzi contratar uma banda de rock progressivo para gravar o tema de abertura e o grupo escolhido foi o Deep Purple, que na época estava no início de sua fase mais celebrada. A banda chegou a gravar a música tocada nos créditos, mas os integrantes não puderam aparecer no filme em si devido a restrições burocráticas da lei italiana, que exige que a maioria dos técnicos e artistas que participam de um filme sejam italianos.

A sessão foi tão concorrida – e se espalhou até altas horas, com o pessoal do cinema literalmente nos colocando para fora – que não pude fazer as perguntas que tinha em mente, apesar de estar sempre de dedo levantado, pedindo a vez. Mas Cozzi foi simpático como sempre e, ao me ver na saída da sala, veio em minha direção e brincou: “Não teve perguntas dessa vez?”. Disse então que ia perguntar sobre o projeto do Frankenstein nazista que ele e Argento tentaram desenvolver na década de 70, e se é verdade que Argento costuma distorcer o roteiro escrito ao ponto de tornar algo que no papel é plausível e verossímil em algo completamente incompreendível nas telas, como Dardano Sacchetti certa vez comentou. Cozzi discordou veementemente e afirmou que tudo que ele escreveu foi seguido à risca por Argento, o que me deixou surpreso.

Conversamos também sobre a suposta misoginia de Dario Argento e se ele tem idéia do porque de os assassinos na maioria de seus filmes serem mulheres. Cozzi rebateu quando comentei que Asia Argento, filha de Dario, certa vez disse que o pai dela tem “algum problema” com a mãe dele; segundo Cozzi, Dario ama a mãe, nunca teve problemas com ela. “É uma família problemática, estão sempre brigando, é melhor manter distância”, recomendou; “o problema da Asia é que ela fala demais”.

Não acho exagero dizer que Luigi Cozzi talvez tenha sido a personalidade mais agradável já trazida a qualquer das edições do Fantaspoa. Inteligente, articulado, simpático e acessível, Cozzi certamente não é um autor celebrado por ter realizado grandes obras no cinema fantástico (apesar de nenhum dos seus filmes sofrer do mal de serem chatos; muito pelo contrário, todos são divertidíssimos), mas isso é plenamente compensado por ele ser um grande aficionado pelo gênero – em especial a ficção científica clássica – e possuir um vasto conhecimento sobre o tema. Cozzi também escreve sobre cinema de gênero, o que faz com que conversar com ele sobre cinema seja muito mais do que ter que apelar para a bajulação sem propósito.

Carlos Primati

Published in: Sem categoria on julho 14, 2010 at 5:03 am  Deixe um comentário  

13-07

Caros,

Hoje, como citado no post anterior, se inicia a última semana do VI Fantaspoa.
Às 21 horas, no Cine Bancários, sessão comentada de “Glenn, o Robô Voador“, em première panamericana. O diretor Marc Goldstein estará presente, comentando sobre seu filme. Compareçam.

Marc Goldstein & Billy Boyd - Marc estará em Porto Alegre no VI Fantaspoa

Marc Goldstein & Billy Boyd - Marc estará em Porto Alegre no VI Fantaspoa

Além disso, antes da sessão das 21 horas, teremos a última sessão do elogiadíssimo Strigoi, às 15 horas no Cine Bancários, a première panamericana de Salmo 21, no Cine Santander, e a première latino-americana de O cavaleiro, na PF Gastal. às 17 e 19, seguem as exibições dos premiados Eu vendo os mortos, Escuridão (esses dois em première latino-americana) e Macabro. Então, às 19, apresentaremos o sérvio Vida e Morte de uma gangue pornô, o franco-belga Amargo e o canadense A aposta.

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Published in: Sem categoria on julho 13, 2010 at 6:53 pm  Comments (1)  

Última semana de VI Fantaspoa

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Hoje, inicia-se a última semana do VI Fantaspoa. Além das sessões regulares, teremos as sessões comentadas dos filmes Glenn, o Robô Voador (hoje, pelo diretor belga Marc Goldstein), Massacre esta Noite (dia 14, pelo produtor argentino Sergio Rentero), Recortadas (dia 16, pelo produtor argentino Juan Pablo Caserta e pelo assistente de direção argentino Mauro Narducci), Tucker & Dale Enfrentam o Mal (dia 17, pelo diretor norte-americano Eli Craig) e Entrei em Pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado (dia 18, pelo diretor barbosense Felipe M. Guerra). Infelizmente, o diretor Jean Mach, que estaria presente na exibição do filme 8th Wonderland, não poderá mais comparecer ao festival.
Lembrando que, no final de semana dos dias 17 e 18 de julho, o VI Fantaspoa estará oferecendo o curso “Ficção Científica da Década de 1950: temor da bomba atômica e horrores da era nuclear”. Ministrado por Carlos Primati e com a participação de Marcelo Severo, o curso ocorrerá na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, das 10:00 às 14:40, com 40 minutos de intervalo para almoço. O valor para inscrição é de R$60,00. Os interessados devem escrever para nicolas@fantaspoa.com.
Aproveitem essa última semana de Fantaspoa. É muito provável que muitos dos filmes programados nunca mais exibidos no Brasil.
Por favor, divulguem aos amigos.

Obrigado,
João Fleck e Nicolas Tonsho

Published in: Sem categoria on julho 13, 2010 at 2:00 pm  Deixe um comentário  

11-07

Caros,

Hoje, a Mostra Competitiva do VI Fantaspoa se inicia (exceto a primeira sessão do Santander Cultural, da animação I.C.E.). Na Sala PF Gastal, Zona dos MortosInk e Mamãe e Papai. No Cine Santander, além do já citado I.C.E., apresentaremos o premiadíssimo ‘O traficante de sono‘, seguido da comédia romântica “TiMER”, que tem, no elenco, Emma Caulfield (Buffy, a Caça-Vampiros; Barrados no Baile), John Patrick Amedori (Gossip Girl; O efeito borboleta), entre outros.
No Cine Bancários, o dia inicia com “É preciso amar a morte”, que abriu o Fantaspoa. Após, o elogiado “Cólera”, de Uwe Bol e a segunda sessão surpresa do VI Fantaspoa.
Após, para encerrar o dia, apresentaremos, em première brasileira, “Armazenagem a frio”, de Tony Elwood. A sessão será comentada pelo produtor norte-americano Paul Barrett, que já se encontra em Porto Alegre.

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Published in: Sem categoria on julho 11, 2010 at 7:05 pm  Comments (2)  

Luigi Cozzi no VI Fantaspoa

Luigi Cozzi no VI Fantaspoa

Luigi Cozzi no VI Fantaspoa

No dia 09 de julho, o Fantaspoa exibiu o filme “4 moscas em veludo cinza”, finalizando a Mostra Luigi Cozzi.
A mostra apresentou uma retrospectiva da obra desse diretor italiano e foi composta por 14 filmes.
Nos dias 06, 07, 08 e 09, Luigi esteve presente nas sessões dos filmes Hércules 2, Starcrash, Paganini Horror e 4 moscas em veludo cinza, comentando sobre a produção desses filmes e sobre seu trabalho na indústria cinematográfica diante de muitos espectadores, preenchendo toda a sala de cinema do Cine Bancários na maioria das vezes.
No dia 09 de julho, Luigi Cozzi foi homenageado pelo Fantaspoa pelo conjunto de sua obra.

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A partir de hoje, iniciou-se a Mostra Competitiva do VI Fantaspoa.
Divulguem aos conhecidos e compareçam.
Obrigado!
João Fleck e Nicolas Tonsho

Published in: Sem categoria on julho 11, 2010 at 12:19 am  Deixe um comentário  

Luigi Cozzi apresenta Black Cat e Paganini Horror no Fantaspoa

O horror tomou conta do Cine Bancários na terceira noite da mostra Luigi Cozzi no Fantaspoa. O programa duplo desta quinta-feira foi formado pelo raríssimo The Black Cat (O Gato Negro no programa oficial do festival, mas exibido a partir de uma cópia em VHS intitulada Filmagem Macabra) e o divertido Paganini Horror. Foram os dois últimos filmes dirigidos por Luigi Cozzi e ainda que não sejam o epitáfio digno de uma carreira que durou duas décadas, são obras das quais o veterano cineasta italiano pode se orgulhar tranquilamente.
The Black Cat merece lugar de destaque na filmografia de Cozzi por ser uma espécie de conclusão não-oficial da trilogia das ‘Três Mães’ de Dario Argento, precedida por Suspiria (1977) e Inferno (1980), e só concluída em 2007 com o desastroso La Terza Madre (lançado no Brasil sob o insuspeito título de O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas). Na conversa com a platéia ao final da sessão, Luigi Cozzi explicou que o filme surgiu de uma idéia de Daria Nicolodi, na época esposa de Argento e roteirista de Suspiria, que estava interessada em finalmente realizar a parte final da trilogia. Nicolodi a princípio seria a protagonista do filme, que deveria se chamar De Profundis (em inglês, From the Depths), mas Cozzi mexeu tanto no roteiro que ela acabou se desinteressando pelo filme. O que a princípio era uma sequência convencional da saga das três bruxas se tornou um filme sobre os próprios bastidores dessa produção, contando a história de um diretor e um roteirista que convencem um produtor a investir no filme, enquanto suas respectivas esposas brigam pelo papel principal, o da maligna bruxa Levana.
E onde entra o gato preto nessa história toda? Pois é, a princípio nem deveria entrar, mas Cozzi teve que enfiar um maldito felino na trama, num arremedo muito pouco convincente, para contentar um distribuidor norte-americano que havia anunciado o título The Black Cat, baseado no conto de Edgar Allan Poe, e precisava de um filme que correspondesse ao prometido. Desta maneira, De Profundis se transformou em Edgar Allan Poe’s The Black Cat, com a desculpa de que “todo gato preto é uma bruxa disfarçada”.
O filme é uma bagunça como a maioria dos filmes oitentistas de Cozzi, com um roteiro que abusa do surrealismo (o diretor defende a idéia de que os dois filmes da noite são uma mistura de horror e ficção científica), mas não deixa de ter momentos interessantes, além de esbanjar estilo, numa tentativa de emular a atmosfera tanto de Argento quanto de Bava, evocados na fotografia com o uso de filtros azuis e luzes com tons intensos de vermelho e verde.
Cozzi atribui o conteúdo histórico do roteiro ao vasto conhecimento de Daria Nicolodi em literatura sobrenatural, citando De Profundis (1857), do poeta francês Charles Baudelaire (transformado em ‘Boldlair’ ou coisa parecida na legenda do VHS nacional) e indo além, referindo-se ao livro Suspiria de Profundis (1845), de Thomas De Quincey, como a origem de tudo.
O filme acaba deixando de lado essa trama toda acerca da bruxa Levana e se concentra nos percalços que envolvem uma produção do gênero, um mesquinho jogo de vaidades no qual todo mundo tem que ceder um pouco em benefício do filme. A obra é imperfeita e longe de estar livre de defeitos, mas não deixa de ser interessante a maneira como Cozzi trata a rivalidade entre as atrizes e o que elas são capazes de fazer para ficar com o papel. O final, com moral de conto-de-fadas, pode ser interpretado como o processo de preparação de um artista que se deixa ser engolido pela obra, criando ao seu redor uma espécie de blindagem emocional criando uma ilusão de vida ideal, fazendo com que sua grande rival se torne sua melhor amiga e o marido (que estava prestes a se divorciar dela) seja o alicerce da família feliz.
A seguir, novamente com sala lotada e gente sentada nos degraus, foi exibido Paganini Horror, que pelo menos cumpriu bem sua função de divertir a platéia, que não se intimidou em rir nas partes mais absurdas (a cena do fungo mortal oriundo da madeira usada na fabricação dos violinos Stradivarius é do tipo ‘ver pra crer’). O filme é sobre uma banda de pop rock formada por três garotas e um baterista que, em busca do sucesso garantido, adquire a partitura de uma composição inédita de Niccolò Paganini, o violinista italiano que dizem ter vendido a alma ao Diabo.
A produtora da banda, ao saber da novidade, tem a idéia de gravar um videoclipe numa mansão sinistra para promover a canção, afinal nunca ninguém fez nada parecido antes (“exceto Michael Jackson com a música ‘Thriller’ e seu sensacional videoclipe!”, fazem questão da salientar, num dos diálogos mais impagáveis do filme).
Quando chegam à tal mansão, cuja dona é ninguém menos do que Daria Nicolodi, não demora para que o fantasma do violinista maldito comece a despachar os intrusos com requintes cruéis do melhor estilo slasher (muitas cenas nessa mesma linha tiveram que ser eliminadas quando o orçamento foi reduzido durante a produção).
Entre as atrações de Paganini Horror estão as canções interpretadas pela banda de garotas, as quais Luigi Cozzi admite não serem de seu agrado, “mas foi o que pudemos fazer com o curto orçamento”, defende o diretor. O detalhe problemático é que as duas principais canções são plágios escandalosos de músicas de sucesso: uma é “You Give Love A Bad Name”, do Bon Jovi, cuspida e escarrada; a outra é a cara e o focinho de “Twilight”, do Electric Light Orchestra.
No bate-papo ao final da sessão, Cozzi falou sobre o prazer de ter trabalhado com Donald Pleasence neste filme (no qual ele interpreta o próprio Diabo) e citou como exemplo contrário as extravagâncias que teve que aturar de Klaus Kinski durante as filmagens do desastroso Nosferatu em Veneza, no qual fez pouco mais do que filmar o ator caminhando a esmo sob a luz do amanhecer, simplesmente porque era tudo que Kinski tinha vontade de fazer.
Cozzi ainda falou sobre sua paixão pelo cinema, que surgiu quando ele viu o clássico Vinte Mil Léguas Submarinas (1954), da Disney, ainda quando era criança, o fim do cinema italiano, engolido pela televisão e sua política que visa exclusivamente o lucro, e o prazer de trabalhar nos Estados Unidos em Dois Olhos Satânicos, onde teve o apoio de uma equipe técnica jovem e empolgada, em contraste aos velhotes desinteressados que normalmente encontrava na Itália.
Ao final da sessão, finalmente decidi pegar um autógrafo com Luigi Cozzi. Soletrei meu nome a ele dizendo que era “igual Carlo Ponti, mas com ‘s’ no final”. Ao ver a Bia ao meu lado, também a postos para pegar um suvernir, Cozzi comentou, com um largo sorriso: “Então ela só pode ser a Sophia Loren!”. Tem como alguém ser mais simpático?
Quem está em Porto Alegre e ainda não teve o prazer de encontrar Luigi Cozzi, hoje à noite é a última oportunidade: às 20h30, após a exibição do giallo Matador Implacável, acontece no Cine Bancários um coquetel em homenagem ao cineasta italiano, seguido pela projeção da versão restaurada de 4 Moscas Sobre Veludo Cinza e um debate sobre a parceria de Cozzi e Argento.

Carlos Primati

Published in: Sem categoria on julho 9, 2010 at 6:27 am  Comments (1)  

Luigi Cozzi apresenta Contamination e Starcrash no Fantaspoa

O segundo dia da mostra Luigi Cozzi começou mais cedo, com entrevistas marcadas para a TVE para uma reportagem sobre o Fantaspoa que vai ao ar, se não me engano, na próxima terça-feira. Eu planejava ver então os dois episódios da série de TV La Porta sul Buio, programados para às 17 horas, mas acabei trocando a sessão de cinema pelo convite de Luigi Cozzi e comitiva – ou seja, Felipe M. Guerra – para ver os últimos minutos do jogo entre Alemanha e Espanha num restaurante próximo. Cozzi comemorou o gol espanhol e festejou a “final inédita” da Copa, com Espanha enfrentando a Holanda no domingo. Aproveitei a deixa e contei a Cozzi que em 2002, durante a produção da coleção de DVDs do Zé do Caixão, o Mojica sempre chegava atrasado às gravações das trilhas de comentário em áudio porque ficava em casa vendo os jogos da Copa do Mundo.
Também tive que explicar a barra-pesada do caso do goleiro Bruno, do Flamengo, que naquele momento estava sendo preso acusado de assassinato, pois a TV estava ligada na Band, com aquela baixaria toda do Datena no Brasil Urgente. Pobre Luigi, não merecia isso…
A sessão seguinte foi Alien, o Monstro Assassino (1980), praticamente lotada e com a companhia do recém-chegado Leandro Caraça, e ainda Laura Cánepa, Carlos Thomaz Albornoz, Blob e toda a galera mais legal dessas bandas, como o Cristian Verardi e o Marcelo Severo. O principal filme da noite, Starcrash, exibido às 21 horas, lotou de vez o Cine Bancários e teve muita gente sentando pelas escadas.
Foi ótimo rever Alien, o Monstro Assassino, do qual eu só me lembrava de algumas cenas – basicamente, os ovos explodindo e o sangue jorrando. Também lembrava que tinha alguma coisa relacionada com café colombiano, mas fiquei surpreso ao constatar o quanto o filme bebe na fonte da fase áurea da ficção científica, paixão confessa de Luigi Cozzi. A estrutura do roteiro me lembrou demais o clássico The Beast from 20,000 Fathoms (O Monstro do Mar), de 1953, o primeiro grande filme com efeitos visuais em stop-motion de Ray Harryhausen. Cozzi explicou que seu trabalho, basicamente, era convencer os produtores que seu filme era na toada de Alien, o 8º Passageiro e que, portanto, ia render uma nota preta nas bilheterias. Depois disso, ele ficava à vontade para fazer o filme que queria. Deliciosamente antiquado, sobram na obra de Cozzi citações explícitas a filmes como O Mundo em Perigo (1954), Usina de Monstros (1957) e a produção japonesa The H-Man (1958).
O bate-papo com a platéia após a exibição de Starcrash durou mais de uma hora e foi recheada de anedotas sobre como funcionavam os bastidores do cinema comercial italiano na época. Cozzi contou, por exemplo, que o projeto que resultou em Alien, o Monstro Assassino começou como uma imitação de Síndrome da China e teve influência do êxito de bilheteria do Zombi 2, de Lucio Fulci, que estava rendendo muita grana aos produtores naquele momento.
O cineasta detalhou o cronograma de produção de Starcrash, segundo ele próprio, a primeira imitação de Star Wars a ser produzida, com as filmagens iniciando em meados de setembro de 1977. O filme chegou às telas no início de 1979. Falando sobre o clima infanto-juvenil de Starcrash, Cozzi comentou que quis fazer um filme caricatural, inspirado nas histórias em quadrinhos do Mickey, especialmente suas aventuras detetivescas. As aparições do Conde Zarth Arn, o vilão interpretado por Joe Spinell, com suas gargalhadas malignas, arrancou risos da platéia, que entrou na brincadeira e parece ter curtido bastante a ingênua saga espacial de Cozzi.
O diretor também contou que o robô Elle foi interpretado pelo então marido da estrela Caroline Munro, que encheu o saco dos produtores até conseguir um papel no filme. Durante as filmagens, o sujeito continuou atormentando o diretor com detalhes irrelevantes e acabou, enciumado com o clima entre sua esposa e o co-astro David Hasselhoff, convencendo Cozzi a encerrar o filme sem o esperado beijo entre os heróis, que apenas se abraçam amigavelmente ao fim da aventura.
Falastrão e acessível, Cozzi comentou que seu filme também é uma homenagem a Ray Harryhausen (os robôs malignos que são chamados de Golems no filme são óbvias referências aos esqueletos espadachins dos filmes de fantasia de Harryhausen), citou os diretores John Ford, Stanley Kubrick e Jack Arnold como suas grandes influências e comentou a amizade com outros grandes nomes do cinema fantástico italiano, como Riccardo Freda, Mario Bava, Antonio Margheriti e, claro, Dario Argento.
A participação de Cozzi no Fantaspoa prossegue com a sessão comentada de Paganini Horror, hoje, às 21h.

Carlos Primati

Published in: Sem categoria on julho 8, 2010 at 6:57 pm  Deixe um comentário