Sessões comentadas: Breaking Nikki e A Magia dos Fantasmas

por Beatriz Saldanha

BREAKING NIKKI

Filmes intimistas sobre perturbações psíquicas, muitas vezes, formam a parcela mais intrigante do horror. Dão margem a uma série de interpretações e desafiam o espectador a questionar os limites da mente humana. A produção argentina Breaking Nikki (2009), de Hernán Findling, retrata o processo de destruição de uma mulher que é sujeitada aos caprichos de um homem obcecado pela ex-esposa. Ele insiste em impor à mulher uma nova identidade que ela não deseja assumir, submetendo-a a torturas físicas e psicológicas. Sustentado ainda nas ótimas atuações do elenco feminino, o filme transmite angustiante realismo, mas é prejudicado em sua conclusão, ao optar por um encerramento confuso e extenso.

No bate-papo ao final da sessão, Findling falou sobre a experiência de realizar um filme menos óbvio e comercial, orgulhando-se de influências como os filmes O Inquilino (1976), de Roman Polanski, e o recente Porta ao Lado (2005), de Pål Sletaune; além de toda a filmografia de David Lynch, incluindo a trilha sonora que remete a Angelo Badalamenti e Julee Cruise.

Cativeiro e O Porão, ambos de 2007, são outros dois exemplos de filmes que exploram a obsessão amorosa, ainda que de forma menos elaborada. Relativamente barato em sua realização, este subgênero exige maior controle e domínio do diretor, a exemplo do que acontece na obra-prima O Colecionador (1965), de William Wyler.

Breaking Nikki será reprisado na sexta-feira, dia 17, às 17h, no Cine Bancários.

A MAGIA DOS FANTASMAS

Entre os títulos mais atraentes da mostra França Fantástica estava o documentário A Magia dos Fantasmas (1975), de Marcel L’Herbier. Entusiasta do cinema fantástico, o diretor fez aqui uma antologia que contempla desde os primórdios do cinema francês, começando pelo prestidigitador Georges Méliès, a produções contemporâneas. São feitos comentários apaixonados a filmes como A Bela e a Fera (1946), de Jean Cocteau, e Pele de Asno (1970), de Jacques Demy. Indispensável a título de curiosidade, o documentário frustra por não oferecer maior aprofundamento, reproduzindo extensas cenas de filmes que, em alguns momentos, sequer parecem relacionar-se com cinema fantástico.

O público pôde discutir este e outros detalhes com o especialista em cinema de horror Carlos Primati, que ampliou o panorama proposto pelo documentário ao apresentar à platéia alguns realizadores importantes que foram ignorados por L’Herbier, além de sugerir comparações entre o cinema fantástico francês e o brasileiro, ambos marginais em seus países.

Published in: on julho 15, 2009 at 8:11 pm  Deixe um comentário  

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