O que já foi:

SONHOS DEMONÍACOS

Grace, jovem crescida em um orfanato, trabalha como artista circense para a igreja sensacionalista do irmão de seu noivo. Ao mesmo tempo, dedica-se à procura do pai, que acredita estar vivo. Quando finalmente o encontra, muda-se com ele para uma fazenda de cenário idílico, onde os dois mantém uma relação praticamente incestuosa. Não demora até que seu pai revele comportamento ciumento e agressivo, chegando a cometer assassinatos. Um dos exemplares mais interessantes da já saudosa mostra Kit Parker, Sonhos Demoníacos (1970) é mais um filho tardio de Psicose (1960). Possui momentos de delicada sugestão, mas estes vão por água abaixo com os comentários explanadores de um narrador que parece duvidar da capacidade intelectual dos espectadores. A linda Brook Mills, atriz de curta carreira, comove com a ingenuidade e perturbação de sua personagem.

O REI E O PÁSSARO

Um rei presunçoso tem como esporte preferido a caça a pássaros. Em seus sonhos secretos, o rei deseja casar-se com uma pastorinha retratada em uma pintura, mas esta, por sua vez, ama um limpador de chaminés, que fica no quadro ao lado do seu. Um pássaro que perdeu a esposa em um acidente de caça promete ajudar o jovem casal a escapar dos ataques do rei. O Rei e o Pássaro (1980), assim como O Rouxinol (2005), também exibido nesta edição do Fantaspoa, é baseado na obra de Hans Christian Andersen, autor de alguns dos mais significativos contos de fadas, como O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia. Mas, ao contrário do que possa parecer, O Rei e o Pássaro vai bem além de uma narrativa infantil: é um bem escrito drama sobre arrogância, que mostra de forma simbólica como o amor pode vencê-la. A trilha sonora de Wojciech Killar, o suspense gerado pelo conflito e a boa construção da personagem da ave, com cinismo e esperteza, são outros dos pontos altos desta animação.

O CORVO

Uma pequena cidade fica em polvorosa quando escandalosas cartas anônimas são enviadas para respeitados senhores e damas do lugar, denunciando atos imorais. A população se une para descobrir o chantagista por trás do mistério. O Corvo (1943) é uma das grandes atrações desta edição do Fantaspoa, apesar das salientes falhas de roteiro, inclusive na trama principal, que se revela infundada, insistente e confusa. Os detalhes que a rodeiam, entretanto, são extremamente interessantes, como o mau caráter, a luxúria e a dissimulação dos personagens. Mais de uma década antes da realização de As Diabólicas (1955) é possível observar maturidade em Clouzot, que já apresentava crianças desempenhando papéis significativos em uma narrativa essencialmente adulta. Em As Diabólicas as crianças teriam fundamental importância. O Corvo foi mais um exemplar impressionante trazido pelo Fantaspoa neste ano da França no Brasil.

Published in: on julho 13, 2009 at 6:25 pm  Deixe um comentário  

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